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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Resposta da União da Juventude Comunista a Zuenir Ventura

COORDENAÇÃO NACIONAL DA UNIÃO DA JUVENTUDE COMUNISTA

O artigo de Zuenir Ventura, profundamente ideológico ao realizar uma mera apologia à administração “caridosa” do capitalismo, está no bojo desta hegemonia que nesta conjuntura internacional de crise passa a ser fortemente contestada em diversos locais do globo.

O mundo necessário para humanidade é o socialismo!

O texto original de Zuenir Ventura

Zuenir Ventura, em artigo do dia 28 de janeiro no jornal “O Globo”, se referiu a um trecho de um documento da União da Juventude Comunista, juventude do PCB Partido Comunista Brasileiro, no que se refere a nossa opinião sobre o Fórum Social Temático, realizado há poucas semanas em Porto Alegre, RS. O autor se refere a nossa opinião como utópica e entoa elogios ao encontro de opiniões de Davos (Fórum Econômico) e Porto Alegre (Fórum Social).

A opinião do referido autor se encaixa em uma conjuntura onde, aqui no Brasil, nos deparamos com um processo de amoldamento de entidades, personalidades e partidos de “esquerda” que, até algum tempo atrás, se encontravam no campo popular e crítico com relação à realidade brasileira. Obviamente, este processo não é fruto apenas da “traição”, vontades individuais e gostos subjetivos, mas sim, resultado da hegemonia de projetos e perspectivas sobre a problemática social no país pelas próprias forças do “mercado” e do empresariado brasileiro, tendo como principal instrumento de mediação as ONG´s.Nesta perspectiva, a questão social não é mais uma questão de organização da sociedade e sistêmica, mas uma questão específica e gerencial.

O artigo de Zuenir Ventura, profundamente ideológico ao realizar uma mera apologia à administração “caridosa” do capitalismo, está no bojo desta hegemonia que nesta conjuntura internacional de crise passa a ser fortemente contestada em diversos locais do globo. A opinião de Ventura também coincide com a própria organização do Fórum Social Temático, fórum este que se caracteriza pelo aparente caráter descentralizado, com centenas de atividades das mais variadas temáticas - que reproduzem, em grande medida, a fragmentação e a focalização em lutas específicas em nossos tempos de discursos pós-modernos - esconde, na verdade, a hegemonização de sua direção por ONG´s e setores atrelados ao governo. A bandeira por um "outro mundo possível", naquele espaço, não passa de uma máxima esvaziada de um conteúdo que conteste, de fato, a atual ordem vigente. Ainda que se mencione o socialismo - com discursos redesenhados à esquerda, mas desmascarados pelas práticas concretas - a denúncia da mazelas produzidas pelo capitalismo não desvela a essência de seu caráter predatório e tão pouco projeta a sua superação.

O problema central para a União da Juventude Comunista, organização citada na apologia de Ventura, é que a resolução dos problemas ocasionados pelo regime do capital não é uma questão meramente administrativa, ideal ou específica. Os inúmeros problemas sociais e desumanos que vivenciamos são gerados pela própria natureza estrutural e histórica do capitalismo. Como isto se materializa hoje? Podemos citar alguns exemplos: a expansão descontrolada da especulação imobiliária no Rio de Janeiro entrando em choque com a demanda de moradia de milhares de sem teto na cidade, a expansão dos lucros do agronegócio que não coincidem com a demanda por terra e trabalho para muitos sem terra e pequenos agricultores, o crescimento das instituições privadas de ensino superior (em detrimento da expansão com qualidade das instituições públicas) apesar do apoio acrítico e incoerente com o histórico da UNE – e que não vem representando as demandas reais para a expansão pública e universal das universidades - dentre outras inúmeras questões.

Utopia !?

Não.

Sabemos que são apenas algumas demonstrações de como o capital entra em conflito com as demandas básicas da vida da grande maioria das pessoas, e é por isso que em nosso documento para o fórum apontamos que não há saída para os problemas da humanidade se o regime do capital não for superado positivamente, e o socialismo é a única forma possível. A solução apontada pelo Fórum e por Zuenir Ventura, de conciliar o que é inconciliável, é reforçar um olhar anacrônico e acrítico com relação à origem e à solução para os problemas sociais de nossa época. Em suma, é reforçar a sustentação do status quo. É óbvio que existem outras opções e possibilidades, já que a história é feita por pessoas, grupos e classes com distintos interesses, mas a outra possibilidade, a da conciliação, esta sim nos leva a barbárie social e ao próprio empobrecimento crítico e cultural da capacidade humana. E é este tempo e espaço que os jovens ou velhos comunistas ousam mudar e criticar, não como portadores das verdades universais, mas como um dos sujeitos que compõem os anseios objetivos dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil e do mundo.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

UJC REPUDIA INVASÃO DA USP!

NOTA DA COORDENAÇÃO NACIONAL DA UNIÃO DA JUVENTUDE COMUNISTA

"Veem? Esta é a borracha de apagar ideologias"
A Coordenação nacional da UJC vem a público repudiar veementemente a invasão do campus da USP pelas tropas da polícia militar, por solicitação do reitor dessa instituição.

Tal operação se transformou em um grande espetáculo midiático, chegando ao cúmulo de mobilizar mais de 400 policiais, 50 viaturas, helicópteros e tropa de choque contra alguns estudantes desarmados que estavam ocupando a reitoria, culminando na prisão de dezenas deles.

Este ato lamentável de truculência é uma mensagem muita clara para todos os estudantes, professores e trabalhadores da universidade: a criminalização de qualquer movimento social. Esta criminalização na USP fica ainda mais nítida com a política capitaneada pela reitoria e o governo do Estado de São Paulo com relação à onda de militarização através das ações da PM na Universidade. Criminalização de movimentos em defesa da universidade pública que é também expressão do processo de privatizações que assola a própria lógica interna da universidade pública brasileira

A União da Juventude Comunista conclama entidades e personalidades democráticas, progressistas e de esquerda a se somar à luta pela não punição, penal e administrativa, dos estudantes que foram presos, pela autonomia universitária, pela retirada das tropas das polícias militares desta e de todas as universidades brasileiras, com abertura de concurso público para guardas desarmados com função definida pela comunidade universitária e pela imediata destituição do reitor da USP.

Coordenação Nacional da UJC

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A EDUCAÇÃO CHILENA PEDE SOCORRO

SOLIDARIEDADE AOS ESTUDANTES E TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO
NA LUTA POR UMA REFORMA INTEGRAL DA EDUCAÇÃO CHILENA

O Chile foi um dos primeiros países latino-americanos a implementar e aprofundar o receituário neoliberal em seu sistema de educação pública. Privatização do Ensino Superior, inclusive com cobranças de mensalidades em Universidades Públicas; Municipalização da Educação Fundamental, além de um sistema educacional que se organiza sobre as bases da Constituição de 1981, promulgada no Governo Militar do Ditador Augusto Pinochet, são algumas das características perversas que circundam a organização da educação chilena.

Neste ano, um amplo processo democrático que envolveu a base dos estudantes secundaristas, universitários e trabalhadores da educação fez emergir uma proposta de REFORMA INTEGRAL DA EDUCAÇÃO CHILENA que busca estabelecer as bases da educação como um direito social e humano universal. Entre as principais bandeiras levantadas encontram-se a defesa de uma educação pluralista, gratuita e de qualidade. Apontando para a necessidade imperativa de uma Reforma Constitucional que elimine com a municipalização da educação básica, que crie uma nova concepção de financiamento público da educação em seus diferentes níveis, investindo em transporte escolar e infra-estrutura, além da valorização dos professores. Tudo isso baseado em uma concepção democrática que aprofunde os mecanismos de participação dos estudantes e da comunidade escolar.

No que diz respeito a Universidade, as demandas pelo aumento das fontes de financiamento, por um novo sistema de acesso igualitário, com elevação do suporte destinado a assistência estudantil, além da inclusão dos povos originários são mudanças almejadas no sentido de construção de um outro modelo de Universidade Pública que esteja em consonante com as aspirações por justiça social do povo chileno.

As mobilizações que vem ocorrendo no Chile nos últimos meses, colocam em crise o governo direitista de Sebastián Piñera, que não tem a minima preocupação em resolver e atender as demandas dos estudantes, trabalhadores em educação e comunidade escolar. A sua resposta tem sido a repressão aos legítimos movimentos e mobilizações ocorridas por todo o país, que vem se intensificando com a adesão cada vez maior da população.

No dia 4 de agosto, milhares foram as ruas protestar e levantar a bandeira da Reforma Educacional. A resposta do governo foi a implantação de um estado de sítio, proibindo manifestações nas ruas do país, o que resultou em 874 manifestantes presos, além de vários jovens feridos pela repressão policial.

A União da Juventude Comunista se solidariza com a luta dos estudantes, dos trabalhadores em educação e do povo chileno por uma educação que responda aos anseios por justiça social, democracia e igualdade, que tem se manifestado nas imensas mobilizações em curso no país.

Conclamamos todas as organizações estudantis e juvenis de caráter progressista no Brasil para a construção de um grande ato de solidariedade de caráter nacional a ser realizado em frente a embaixada e consulados chilenos espalhados pelo país.

Toda solidariedade aos estudantes da Coordenação Nacional dos Estudantes Secundaristas (CONES), da Confederação dos Estudantes do Chile (CONFECH) e aos trabalhadores em educação chilenos!

Pela construção da Educação e da Universidade Popular em Nossa América!

Total repúdio ao Governo ditatorial de Sebastián Piñera!

UJC Brasil