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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

DOCUMENTO PODE SER CONSIDERADO A "CERTIDÃO DE NASCIMENTO" DA UJC RIO GRANDE DO SUL

Pertence ao acervo do Centro de Documentação e Memória da UNESP o documento intitulado "RELATORIO DO COMITÉ REGIONAL DO R. G. DO SUL", escrito no final de 1928 como um balanço das atividades desenvolvidas pelos comunistas gaúchos, dado que o PCB estava prestes a realizar o seu III Congresso. O ponto relacionado à "Juventude Comunista" apresenta as primeiras ações dos camaradas para organizar a juventude.

Reprodução do texto do relatório original de 1928

Eis a transcrição do trecho que se refere à organização da Juventude Comunista no Estado:

                       3) Juventude Comunista
A Juventude Comunista nesta Região só ha tres mezes poude ser organiza-
da com o nome de Juventude Proletaria.
A Juventude Proletaria conta actualmente 35 membros, sendo 12 do sexo
feminino. Estavam todos divididos em 5 cellulas, sendo porem mais tarde, por
ser mais pratico, reunidos [?] em duas cellulas.
Brevemente vai ser organizada a secção sportiva, devendo constituir-se
uma Federação Operaria Sportiva, que, reunirá todos os pequenos clubs de
foot-ball [1 palavra ilegível] operarios.
Realisam-se também horas de auto-educação por meio de leitura [1 palavra ilegível].
Convem notar-que, apezar de existir ha tão [?] pouco tempo, a nossa Juventude
caminha para a frente, como o demonstram os trabalho ja effectuados e as reu-
iniões de suas cellulas.
O C.R. é representado, por um delegado, nas sessões da J.P. e esta re-
presentada também, por um delegado, no C.R.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

MST desencadeia ocupações no Rio Grande do Sul

PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO - RIO GRANDE DO SUL

Na esteira da vaga grevista dos últimos meses, que envolveu trabalhadores das escolas públicas estaduais e das universidades federais, trabalhadores dos correios e bancários, o MST abriu, na madrugada desta segunda-feira, uma jornada de ocupações no Rio Grande do Sul. Acusando o descumprimento de um compromisso firmado pelo governo de estado e o governo federal, os companheiros de luta do MST iniciaram a ocupação simultânea de três áreas no estado: uma de 600 hectares em Viamão, próxima ao assentamento Sepé, na região metropolitana de Porto Alegre, outra de 400 hectares em Vacaria, próxima a BR 285, e outra de 300 hectares em Sananduva.

Segundo um dos coordenadores da Frente de Massas do MST, João Paulo da Silva, acampado há quase dois anos em Livramento, “desde a assinatura do acordo em abril, nenhuma família foi assentada”. E acrescenta: “para compreender a origem dessas ocupações, temos que falar de um processo de três anos, nos quais nenhum assentamento novo foi realizado no estado”.

Além dos mais de mil trabalhadores e trabalhadoras rurais mobilizados para estas ocupações, os companheiros responsáveis pela direção do movimento convocaram também o apoio de trabalhadores urbanos, vinculados a diversas lutas sindicais. Numa declaração emocionada, e falando em nome da direção das atuais ocupações, um companheiro expressou sua alegria, e destacou como algo inédito, “poder estar compartilhando esta jornada de lutas com os camaradas da cidade”. De fato, estabeleceu-se uma relação de solidariedade ativa e fraterna entre trabalhadores rurais e urbanos, identificados com a luta pela revolução social, abrindo-se aos apoiadores, até mesmo a possibilidade de integração orgânica nas comissões de infra-estrutura. Entre os apoiadores presentes nesta luta estavam militantes da Unidade Classista, da UJC e do PCB; estavam os companheiros da Resistência Popular (Utopia e Luta), do Movimento de Luta pela Moradia, do Movimento dos Trabalhadores Desempregados, além de vários militantes “independentes”.

O silêncio deliberado dos meios de comunicação corporativos do RS, cúmplices da propriedade privada, do latifúndio, do agronegócio e dos governos de plantão, ao recusarem repercutir as ocupações iniciadas hoje, comprova a necessidade de uma unidade viva entre os trabalhadores da cidade e do campo, como meio para se ampliar a visibilidade das lutas em curso e divulgar as justas pretensões do movimento. É neste sentido que já estão sendo preparadas, em Porto Alegre, mobilizações de apoio às recentes ocupações.

Nesta terça-feira, o governo de Tarso Genro mostrou que não tem a menor intenção de tratar com seriedade as reivindicações dos trabalhadores sem-terra em luta. Ao dirigir a ação da Brigada Militar no sentido de intimidar os trabalhadores e orientá-la a impedir que água e alimentos cheguem aos acampados, o governo do PT demonstra, a exemplo dos liberais, que irá tratar esta luta social como um caso de polícia. Entretanto, engana-se o governo Tarso ao pensar que pode derrotar os trabalhadores usando a eloqüência da força, pois para nós “Ocupar, Resistir, Produzir” não é apenas uma mera palavra de ordem, mas uma determinação irredutível!

Os trabalhadores acampados em Viamão, Vacaria e Sananduva lutam pelo assentamento imediato de 100 famílias e cobram, dos governos estadual e federal, o assentamento de mil famílias ainda em 2011. Os trabalhadores rurais sem-terra permanecerão firmes nas áreas ocupadas, pelo tempo que for necessário, até alcançar suas reivindicações: eles sabem, e muito bem, que somente a sua luta e a sua resistência serão capazes de fazer avançar a Reforma Agrária neste país.