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sábado, 4 de fevereiro de 2012

OPORTUNISMO E DOGMATISMO

MIGUEL ALONSO PÉREZ Q.
Tribuna Popular - Partido Comunista de Venezuela

A burguesia reacionária não cessa seu esforço para enfraquecer o movimento comunista com um trabalho de miná-lo por dentro. Para isso, joga grandes esperanças na utilização, em proveito próprio, das divergências que podem surgir no seio dos Partidos e na propagação de ideias oportunistas entre os membros do Partido pouco firmes politicamente.

As fileiras dos Partidos se nutrem constantemente não só de operários avançados, mas também com elementos pouco maduros, entre eles os oriundos das camadas médias. Estes, querendo ou não, trazem aos Partidos os seus preconceitos e as suas extravagâncias. Sempre existe a possibilidade objetiva de que nos Partidos Comunistas penetrem influências burguesas e pequeno-burguesas, concepções oportunistas que levam ao desânimo e à desconfiança no triunfo de uma nova sociedade. Daí a justificativa para que a luta pela pureza da ideologia marxista-leninista seja uma lei cabal na existência e desenvolvimento dos Partidos Comunistas.

A ideologia burguesa vai mudando de matiz conforme a luta da classe trabalhadora se amplia. As formas grosseiras empregadas para justificar o capitalismo vêm sendo substituídas por procedimentos mais sutis de defesa. Porém, a ideologia burguesa não muda por isso. Da mesma maneira, o oportunismo, qualquer que seja a roupagem com que se apresente, sempre possui o mesmo propósito, declarado ou escondido: conciliar a classe trabalhadora com o capitalismo, submeter o movimento operário aos interesses das classes dominantes. Prova disso são as constantes tentativas dos oportunistas em revisar a doutrina revolucionária da classe operária, que é o marxismo-leninismo.

O revisionismo ou “revisão” do marxismo, como indicava Lênin, é “uma das principais manifestações, se não a principal, de influência burguesa sobre o proletariado e da corrupção burguesa dos proletários”.

Os esforços teóricos e práticos dos revisionistas se subordinam sempre, em última instância, ao desejo de acabar com os Partidos Comunistas ou de convertê-los numa organização reformista. Em algumas condições históricas, estes propósitos não são ocultados. Em outras, são apresentados de maneira mascarada. Os revisionistas sempre empreenderam campanhas contra os Partidos, afirmando que se trata de uma organização que necessita ser “arquivada”. E, em seu lugar, propõem criar uma ampla organização sem Partido, ou seja, criar somente uma “organização de trabalhadores”.

Os ideólogos do revisionismo tratam de “revisar” ou, mais exatamente, de deformar todas as teses fundamentais da teoria marxista-leninista. Porém, um dos alvos favoritos desses ideólogos sempre é a doutrina Leninista sobre os Partidos.

Os revisionistas tratam de desacreditar a grande doutrina do marxismo-leninismo. Declaram-na “caduca”, “passada de moda” e que, atualmente, perdeu seu valor para o desenvolvimento social. Os revisionistas se esforçam para matar o espírito revolucionário do marxismo e quebrar a fé da classe operária e do povo na construção de uma sociedade socialista, negando o papel dirigente do Partido marxista-leninista. Manifestam-se contra a necessidade histórica da Revolução Proletária e da ditadura do proletariado na transição do capitalismo ao socialismo, negam os princípios fundamentais do internacionalismo proletário, pedem a renúncia dos princípios leninistas fundamentais de organização dos Partidos e, acima de tudo, do Centralismo Democrático, exigem que o Partido Comunista se converta de uma organização revolucionária combativa que é em algo semelhante a um clube de discussão.

Atualmente, não sempre, os revisionistas pedem abertamente a supressão dos Partidos. Com o pretexto de que se amplie a democracia interna, querem acabar com a disciplina dos Partidos, concedendo à minoria o direito de não admitir as decisões adotadas pela maioria e de organizar frações. Porém, isto equivaleria a destruir a unidade de ação dos Partidos, convertendo-os em campo de luta de grupos e frações. Os revisionistas se encobrem ordinariamente com a bandeira contra o dogmatismo doutrinário. Sua renúncia ao marxismo é dissimulada com invocações de que a própria doutrina marxista pede que as teses caducas sejam substituídas por outras novas. Porém, a substituição das teses marxistas, tidas hoje em dia como caducas, por outras novas não tem nada a ver com a supressão dos princípios básicos do marxismo-leninismo, que são o espírito desta doutrina revolucionária. O perigo do revisionismo é que, sob a desculpa de se desenvolver o marxismo, o que faz é negá-lo. É lógico que os Partidos Comunistas enxergam a luta contra o revisionismo em todos os terrenos, sem excluir o da organização interna, uma de suas obrigações permanentes e essenciais.

Os Partidos Comunistas não devem lutar somente contra o revisionismo. Outro inimigo é o sectarismo. Aparentemente, são polos opostos. Contudo, de fato, o sectarismo que se apresenta como muito revolucionário e “esquerdista”, também debilita os Partidos.

O sectarismo se baseia num critério dogmático acerca de determinadas teses e fórmulas teóricas, nas quais se quer encontrar soluções a toda classe de problemas da vida política. Em vez de estudar a vida tal qual ela é, os dogmáticos partem de um esquema. Caso os fatos não se encaixem nesse esquema, ignoram os fatos. O dogmático significa o divórcio da realidade e do Partido, e o Partido, se não o combate, se converte numa seita apartada da vida.

Os desejos de agarrar-se ao dia de ontem, a uma política e a formas orgânicas que não respondem às novas condições, significam, de fato, como Lênin disse, “uma política de inação revolucionária”. Com uma grande gama de exemplos, a prática de todos os Partidos Comunistas confirma a razão que assistia à Lênin ao dizer isto.

Muitos dos Partidos Comunistas formados nos países capitalistas depois da Revolução de Outubro, nos primeiros tempos, eram propensos aos erros do sectarismo. Lênin qualificou esses erros de “esquerdismo”, de doença infantil do comunismo. Tais equívocos se traduziam na negativa em trabalhar nos sindicatos dirigidos por reacionários e oportunistas, em comparecer aos Parlamentos burgueses, em aceitar, em determinados casos, o compromisso e, em geral, em adotar uma tática flexível.

Porém, hoje, em nossos tempos, também é preciso lutar contra o sectarismo. O principal nele é o divórcio que se estabelece com as massas, o desprezo das possibilidades existentes para o trabalho revolucionário, a tendência em evitar os problemas candentes que a vida apresenta. Se o revisionismo trata de conciliar os Partidos com o capitalismo, o sectarismo o priva dos vínculos com as massas, sem os quais o êxito na luta contra o capitalismo é impossível. Por isso, não se pode fortalecer os Partidos sem combater o sectarismo, qualquer que seja a forma em que se manifeste.

Os Partidos Comunistas destacaram a necessidade de superar energicamente o revisionismo e o dogmatismo nas fileiras dos Partidos marxista-leninistas. Uma vez que condenam o dogmatismo, os Partidos estimam que, nas condições atuais, o principal perigo reside no revisionismo, o que é o mesmo que oportunismo de direita, como manifestação da ideologia burguesa que paralisa a energia revolucionária da classe trabalhadora e exige a manutenção ou a restauração do capitalismo. Certamente, o dogmatismo e o sectarismo podem ser também um perigo fundamental em determinadas etapas de desenvolvimento de um ou outro Partido. Porém, cada Partido deve estabelecer qual é o perigo fundamental para ele num dado momento.

Primeiramente, os Partidos eram débeis. Em sua maioria, se formaram com elementos revolucionários de organizações social-democratas e anarcossindicalistas, que levaram resquícios de oportunismo e sectarismo. Era necessário levar a cabo um urgente trabalho de coesão e educação dos novos Partidos, segundo as ideias revolucionárias do marxismo-leninismo, e na formação política e ideológica de seus quadros dirigentes.

O movimento comunista segue um desenvolvimento complexo nas condições próprias do capitalismo. Sua história conhece ascensões verticais e grandes êxitos, mas também reveses temporais, consequências negativas de condições objetivas desfavoráveis e dos erros cometidos. Estes defeitos e erros, no entanto, são de natureza transitória, enquanto o auge e fortalecimento do movimento operário e comunista significam um processo invencível, porque são impostos pelas mesmas leis que regem a sociedade.

O texto "OPORTUNISMO E DOGMATISMO" foi originalmente publicado em espanhol no site do jornal Tribuna Popularhttp://www.pcv-venezuela.org/index.php?option=com_content&view=article&id=774:oportunismo-y-dogmatismo&catid=59:contrainformacion&Itemid=62; sua tradução para o português de Maria Fernanda M. Scelza foi publicada no site do Partido Comunista Brasileirohttp://pcb.org.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=3529:oportunismo-e-dogmatismo&catid=54:venezuela

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Cuba vive período "apaixonante" de mudanças, diz Galeano

DO SITE TERRA

Eduardo Galeano
O escritor uruguaio Eduardo Galeano afirmou que Cuba vive um "período apaixonante de mudanças" e continua sendo um "exemplo" de dignidade nacional e solidariedade, em entrevista publicada nesta terça-feira pelo site oficial Cubadebate. "Cuba está vivendo um período, mais que um momento, um período apaixonante de mudanças. Acho que eram mudanças que a realidade foi incubando, que não nasceram como Atena da cabeça de nenhum deus, nasceram da energia acumulada por uma sociedade que é capaz de mudar, e essa é a prova que está viva", declarou.

O jornalista uruguaio está em Havana desde quinta-feira passada e ontem realizou o discurso inaugural do prêmio literário Casa das Américas. Segundo Galeano, que retornou a Cuba após vários anos de ausência, esta é "infelizmente" uma visita muito curta durante a qual pôde reencontrar-se com "velhos amigos" e "conhecer Havana mais a fundo, que é um prazer à parte".

Sobre o momento atual da ilha, onde o governo do presidente Raúl Castro impulsiona um plano de ajustes econômicos, considerou que o país chegou a esse ponto por "um caminho que teve seu sentido e foi imposto pelas circunstâncias, porque a Revolução Cubana fez o que pôde e não o que quis". Nesse sentido, Galeano lembrou o bloqueio econômico e comercial que os Estados Unidos aplicaram a Cuba há meio século e se referiu às "mil e uma formas de limites impostos desde fora ao desenvolvimento da energia criadora" do país.

Eduardo Galeano e Roberto Fernández Retamar, presidente da Casa de las Américas
"Até chegar aos dias de hoje, tentando heroicamente comunicar-me pela internet do hotel onde estou", advertiu em referência ao bloqueio para as comunicações em Cuba, onde não pôde acessar sites que lhe advertem que está tentando "entrar desde um país proibido". Nesta terça-feira, Eduardo Galeano deve ir à sede da Casa das Américas em Havana para realizar uma leitura pública de textos de seu livro Espelhos (2008) e do ainda inédito Os filhos dos dias.

A notícia "Cuba vive período "apaixonante" de mudanças, diz Galeano" foi originalmente publicada no site Terra: http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5562848-EI8140,00-Cuba+vive+periodo+apaixonante+de+mudancas+diz+Galeano.html

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

UNICEF: Cuba, sin desnutrición infantil

FERNANDO RAVSBERG
Repórter da BBC MUNDO em Havana
Nota da UJC Porto Alegre: é interessante ver nesta entrevista a tentativa do repórter de "desqualificar" o que é obrigado a noticiar e ser "desmontado" pelo representante da Unicef em Havana, José Juan Ortiz.
Uno de los principales logros de Cuba
estaría en la escolarización del
100% de los niños hasta 9º grado.
fotografia: BBC MUNDO
La Organización de las Naciones Unidas para la Infancia (Unicef), en su balance del año 2009 informó que en Cuba no existen problemas de desnutrición infantil severa. Se convierte así en el único país de América Latina en lograr semejante meta.

José Juan Ortiz, representante de ese organismo en La Habana, aceptó conversar con BBC Mundo sobre ésta y otras peculiaridades de los niños cubanos.

Según su opinión, lo que ocurren en Cuba se debe a que "hay una voluntad política" en el país.

Afirma que incluso la desnutrición infantil es menor que en países del Cono Sur con economías más fuertes y explica que "en los extremos de América Latina están Guatemala con el mayor problema y Cuba sería el país en el que está más controlado".

¿Hasta qué punto Cuba logra evitar la desnutrición infantil?

La desnutrición severa no existe en Cuba aunque hay algunos focos en las provincias orientales y en los barrios de La Habana con menor desarrollo, sobre todo en casos de embarazos de adolescentes. Sin embargo, están muy controlados por los programas de lucha contra la anemia y de atención a las embarazadas. Además existe un programa de detección de casos desde la primera infancia en las escuelas.

De todas formas estamos atacando estos focos con un programa dirigido a 24 municipios y un presupuesto de US$8,5 millones. Con la FAO (Organización de las Naciones Unidas para la Agricultura y la Alimentación) trabajamos para mejorar los hábitos alimenticios de los cubanos, ya que en Cuba se come mal.

El cambiar hábitos culturales en la nutrición ayuda porque algunas de las carencias que detectamos no se deben a la falta de alimentos sino a su mal uso.

¿Cómo confirman ustedes que estos datos son objetivos?

En Cuba nuestro trabajo es muy fácil. La sociedad tiene buena capacidad técnica y el análisis estadístico es tan profundo que sabemos exactamente dónde están los focos y las necesidades. Por otra parte, nosotros trabajamos en el terreno y por lo tanto conocemos la realidad específica, no sólo dependemos de lo que nos dicen.

¿No podría el gobierno cubano estar engañándolos?

No, ni somos tan tontos ni el gobierno cubano es tan malo. Los datos los constatamos exactamente igual que en cualquier otro país, usamos la misma metodología en Cuba que en Guatemala, Zambia o en España.

El lunes salgo para las provincias orientales y Camagüey a controlar los programas sobre el terreno, nos reunimos con el Poder Popular, con los ministerios y con los usuarios, es decir con la población. Es difícil que no conozcamos la realidad cuando de 24 funcionarios de Unicef, 22 son cubanos y todos tienen hijos o sobrinos.

¿Qué otras peculiaridades tendrían los niños cubanos?

El primer beneficio es la educación. En el mediano plazo la Unicef tiene como objetivo lograr la igualdad de género en la escuela. En Cuba se consiguió hace un montón de años, la escolarización es al 100%. Hay programas educativos de 0 a 3 años y hasta la Universidad es gratuita.

Luego la Salud, garantizada a los niños y niñas, desde antes de nacer, con el control de la salud materno-infantil. La situación es paradigmática en este terreno siendo un país del sur.

Aquí no hay ningún niño en la calle. En Cuba los niños son todavía una prioridad y por eso no sufren las carencias de millones de niños de América Latina, trabajando, explotados o en redes de prostitución.

Usted utiliza la palabra "todavía", ¿es que esos logros podrían perderse?

Es indudable que la situación económica es muy dura, la crisis afecta a todo el planeta y a Cuba de una manera brutal. Pero recalco que "todavía" en Cuba la situación de la infancia es mejor que en la mayoría de la región.

Algunos dicen que la educación es una forma de adoctrinar a los niños cubanos.

Los niños y las niñas tienen el derecho a ser protegidos y por lo tanto el Estado y la familia tienen que velar por ellos. No hay ningún Estado que no ideologice a sus hijos, unos persignándose y otros diciendo "seremos como el Che".

La dirección en la educación existe en todos los sistemas educativos, la ideologización del niño en todos los países se da desde que nace hasta que muere. El Estado y la Familia nos dice lo que es bueno y lo que es malo.

¿Qué ocurre con los adolescentes cubanos, están protegidos también?

El reto en Cuba es grande porque se trata de la generación que nació en el Periodo Especial (crisis de los 90), a ellos les tocó la época dura. Es necesario priorizarlos a nivel de salud, porque aún no logramos reducir el embarazo adolescente en Cuba, a pesar de tener preservativos e información.

¿Qué niveles de prostitución y suicidio hay entre los adolescentes?

Hay niveles de prostitución menores que los de los países que detectamos como "situación grave". Ese es otro de los estereotipos criminalizando la situación cubana radicalmente injusto. El número no es especialmente alto.

No puedo dar las cifras pero las conocemos porque estamos trabajando junto con el Ministerio del Interior en centros de educación integral para menores.

Respecto al suicidio no tengo información pero te puedo asegurar que el nivel de suicidio juvenil ha crecido en todo el mundo, pero es un problema mayor en los países desarrollados.

¿Cuáles serían los retos en el futuro?

En base a la capacidad técnica del país se podría avanzar mucho en la calidad a todos los niveles, en la educación, en la sanidad, calidad de vida, calidad de disfrute de todos los derechos. Lo que ya se ha conseguido hay que mejorarlo y consolidarlo.

O texto "UNICEF: Cuba, sin desnutrición infantil" foi originalmente publicado no site BBC MUNDOhttp://www.bbc.co.uk/mundo/cultura_sociedad/2010/01/100126_1823_unicef_cuba_gz.shtml