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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Jovem agredido na Cidade Baixa revela aumento dos crimes por homofobia no RS

RACHEL DUARTE
Sul21

Jovem participou da Marcha de Abertura do FST 2012.
 Ao lado, foto registrada por ele logo após a agressão.
(fotografia: Daniela Bitencourt)
“Tudo que aconteceu comigo é reversível. O que permanecerá em mim é a lembrança da tragédia. Esta eu levarei para o resto da vida”, disse ao Sul21 o jovem Willian dos Santos, vítima de agressão por homofobia no último domingo (5), em Porto Alegre. Com dificuldades na fala, em razão da perda de quatro dentes e deslocamento da mandíbula, por conta da violência sofrida ao sair do cinema no bairro Cidade Baixa, o estudante de 20 anos está disposto a não deixar o caso passar em branco. “O que aconteceu comigo, aconteceu com outras pessoas e pode acontecer de novo. Estou a disposição do estado para novos esclarecimentos”, disse.

Com voz e jeito de rapaz muito humilde, William conta que embarca no próximo domingo (12) para Natal (RN) onde dará continuidade na faculdade de Relações Internacionais que cursava no Rio Grande do Sul. “Eu não estou indo embora por causa da agressão, já tinha esta oportunidade. Vou sentido em deixar os amigos, ainda mais nesta hora que todos estão me apoiando pelo que me aconteceu”, fala. O jovem chegou a aparecer no Sul21 dias antes da agressão, por conta de sua participação na marcha de abertura do Fórum Social Temático.

O coordenador do Grupo Somos, Alexandre Boer, foi procurado pelo jovem no dia da agressão e conta que ele já prestou trabalhos voluntários na ONG. “Ele é muito espontâneo, agilizado. Ele é daqueles que podemos dizer que tem o jeito de ‘bichinha’. Mas para tu seres agredido no Brasil hoje nem precisa ter cara de gay. Qualquer um confundido com homossexual está apanhando na rua”, comenta.

Willian mora com um amigo em Novo Hamburgo e ao deixar a última sessão do cinema no último domingo voltava sozinho em direção ao Centro de Porto Alegre. Na Rua Sarmento Leite, próximo a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), ele foi agredido verbalmente por dois homens. Os agressores, ambos jovens, um branco e outro negro, atacaram fisicamente William sem ele ter manifestado qualquer reação ao xingamento de “veado”.

“Achei que fosse pela minha forma comportamental ou vestimenta. Mas, neste dia eu estava ‘fantasiado de heterossexual’, como eu costumo dizer. Ainda estou costurado por dentro e por fora da boca. Minha gengiva ainda sangra. Também levei quatro pontos na testa e outros no supercílio. Mas os edemas e o inchaço estão passando. O dano estético eu vou poder recuperar”, afirma o jovem que saiu da sedação e voltou a comer apenas nesta quarta-feira (08).

“Ele chegou a ficar desacordado e ao retomar a consciência conseguiu ligar para amigos que o levaram ao HPS. Os homens levaram alguns bens pessoais e a bolsa dele, deixando o celular dele no bolso”, conta Alexandre Boer.

Assim que retomou a consciência, Willian fez uma foto da própria face. “Eu não queria parecer nojento. Foi a forma que encontrei de mostrar para as pessoas o que tinha me acontecido. Eu tentei abordar policiais na rua naquela hora, mas, com todo o sangue que eu tinha, eles não me deram bola. Acho que pensaram que eu era um bêbado qualquer”, revela.

No dia seguinte, com auxílio da ONG Somos e da Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos, Willian fez o registro da ocorrência. “Levei ele no Palácio da Polícia porque lá já fazem o exame de corpo de delito. Como homofobia não é crime, o registro vai da sensibilidade da polícia. E no boletim dele o atendente percebeu que era caso de homofobia. Agrediram só o rosto dele e deixaram o telefone pra ele. Foi uma agressão gratuita”, defende o coordenador da Somos.


Casos de agressões por homofobia crescem no RS

De acordo com a diretora estadual de Direitos Humanos, Tâmara Biolo Soares, que foi avisada do caso na noite de domingo e realizou o transporte da vítima para o registro do boletim de ocorrência, infelizmente a agressão de Willian é mais comum do que se divulga. “Vamos publicar uma nota de repúdio, com base neste episódio, contra este tipo de violência, que tem acontecido como muita frequencia em Porto Alegre e aumentado a incidência também no interior do estado”, lamenta.

Segundo Tâmara, a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos está atenta aos desdobramentos judiciais que serão dados ao caso de Willian. “Registramos a queixa na Ouvidoria de Segurança Pública que abriu inquérito para identificar os agressores e entrar com processo judicial no Ministério Público. Estamos acompanhando também as investigações do delegado que está com o caso”, explica.

“As pessoas não fazem o tipo de registro por constrangimento, por isso que parece que só acontecem casos fora do RS. Eles muitas vezes dizem que foi só roubo. Os índices estão crescentes e assustadores e esta população está cada vez mais vulnerável, além de estar sendo impedida de usufruir o direito de ir e vir livremente. Por isso que defendemos o projeto de criminalização da homofobia”, defende o coordenador da Somos, Alexandre Boer.

O texto "Jovem agredido na Cidade Baixa revela aumento dos crimes por homofobia no RS" foi originalmente publicado no site Sul21http://sul21.com.br/jornal/2012/02/jovem-agredido-na-cidade-baixa-revela-aumento-dos-crimes-por-homofobia-no-rs/

domingo, 29 de janeiro de 2012

Violência no Fórum Social Temático

MILITANTES DE DIREITOS HUMANOS - MEMBROS DO GAJUP/SAJU-UFRGS

Porto Alegre, 27 de janeiro de 2012.

Na noite de 26 de janeiro, no Largo Zumbi dos Palmares, durante as atividades do Fórum Social Temático, lamentavelmente registrou-se mais um caso de abuso e violação de Direitos Humanos. Enquanto ocorria atividade cultural no espaço público porto-alegrense, manifestantes demonstraram repúdio ao caso de repressão ocorrido durante a remoção da comunidade do Pinheirinho, em São Paulo.

O estudante de Direito Régis Rafael Ribeiro Lisbôa, que estava no Largo, não participou da manifestação. Contudo, foi a pessoa escolhida para ser penalizada, humilhada frente a todos, com a clara intenção de intimidação dos demais.

Ironicamente a voz de prisão se dá quando o militante em Direitos Humanos estava defendendo trabalhadora no Largo Zumbi dos Palmares.

Em nenhum momento, Régis Rafael ofereceu resistência, em contrapartida, já dentro da viatura da Brigada Militar, e na 2ª Cia do 9º Batalhão passou por verdadeiros momentos de terror e truculência: sendo jogado para fora do carro, algemado dentro da sala, obrigado a manter-se ajoelhado, ameaçado de agressão por mais de um integrante da Brigada Militar, sofrendo indescritível violência moral e psicológica.

Em tempos policialescos, nos quais hoje se lamenta a violência do aparato institucional, repetiu-se nessa madrugada a ditadura civil militar imposta ao povo brasileiro. Vale informar, que não será o primeiro nem o ultimo caso de violação de direitos conquistados, cujas classes menos favorecidas e minorias diariamente penam.

O Largo é público e segue vivo.
Somos todos Pinheirinho-SP.
“Para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça.”

“A injustiça passeia pelas ruas com passos seguros.
Os dominadores se estabelecem por dez mil anos.
Só a força os garante.
Tudo ficará como está.
(…)
O que ainda vive não diga: jamais!
O seguro não é seguro. Como está não ficará.
(…)
Os vencidos de agora serão os vencedores de amanhã.
E o “hoje” nascerá do “jamais”...
(Bertolt Brecht)


A notícia "Violência no Fórum Social Temático" foi originalmente publicada no site do Centro Acadêmico André da Rocha (CAAR):   http://www.caar.ufrgs.br/?p=8875&utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=violencia-no-forum-social-tematico