quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Resposta da União da Juventude Comunista a Zuenir Ventura

COORDENAÇÃO NACIONAL DA UNIÃO DA JUVENTUDE COMUNISTA

O artigo de Zuenir Ventura, profundamente ideológico ao realizar uma mera apologia à administração “caridosa” do capitalismo, está no bojo desta hegemonia que nesta conjuntura internacional de crise passa a ser fortemente contestada em diversos locais do globo.

O mundo necessário para humanidade é o socialismo!

O texto original de Zuenir Ventura

Zuenir Ventura, em artigo do dia 28 de janeiro no jornal “O Globo”, se referiu a um trecho de um documento da União da Juventude Comunista, juventude do PCB Partido Comunista Brasileiro, no que se refere a nossa opinião sobre o Fórum Social Temático, realizado há poucas semanas em Porto Alegre, RS. O autor se refere a nossa opinião como utópica e entoa elogios ao encontro de opiniões de Davos (Fórum Econômico) e Porto Alegre (Fórum Social).

A opinião do referido autor se encaixa em uma conjuntura onde, aqui no Brasil, nos deparamos com um processo de amoldamento de entidades, personalidades e partidos de “esquerda” que, até algum tempo atrás, se encontravam no campo popular e crítico com relação à realidade brasileira. Obviamente, este processo não é fruto apenas da “traição”, vontades individuais e gostos subjetivos, mas sim, resultado da hegemonia de projetos e perspectivas sobre a problemática social no país pelas próprias forças do “mercado” e do empresariado brasileiro, tendo como principal instrumento de mediação as ONG´s.Nesta perspectiva, a questão social não é mais uma questão de organização da sociedade e sistêmica, mas uma questão específica e gerencial.

O artigo de Zuenir Ventura, profundamente ideológico ao realizar uma mera apologia à administração “caridosa” do capitalismo, está no bojo desta hegemonia que nesta conjuntura internacional de crise passa a ser fortemente contestada em diversos locais do globo. A opinião de Ventura também coincide com a própria organização do Fórum Social Temático, fórum este que se caracteriza pelo aparente caráter descentralizado, com centenas de atividades das mais variadas temáticas - que reproduzem, em grande medida, a fragmentação e a focalização em lutas específicas em nossos tempos de discursos pós-modernos - esconde, na verdade, a hegemonização de sua direção por ONG´s e setores atrelados ao governo. A bandeira por um "outro mundo possível", naquele espaço, não passa de uma máxima esvaziada de um conteúdo que conteste, de fato, a atual ordem vigente. Ainda que se mencione o socialismo - com discursos redesenhados à esquerda, mas desmascarados pelas práticas concretas - a denúncia da mazelas produzidas pelo capitalismo não desvela a essência de seu caráter predatório e tão pouco projeta a sua superação.

O problema central para a União da Juventude Comunista, organização citada na apologia de Ventura, é que a resolução dos problemas ocasionados pelo regime do capital não é uma questão meramente administrativa, ideal ou específica. Os inúmeros problemas sociais e desumanos que vivenciamos são gerados pela própria natureza estrutural e histórica do capitalismo. Como isto se materializa hoje? Podemos citar alguns exemplos: a expansão descontrolada da especulação imobiliária no Rio de Janeiro entrando em choque com a demanda de moradia de milhares de sem teto na cidade, a expansão dos lucros do agronegócio que não coincidem com a demanda por terra e trabalho para muitos sem terra e pequenos agricultores, o crescimento das instituições privadas de ensino superior (em detrimento da expansão com qualidade das instituições públicas) apesar do apoio acrítico e incoerente com o histórico da UNE – e que não vem representando as demandas reais para a expansão pública e universal das universidades - dentre outras inúmeras questões.

Utopia !?

Não.

Sabemos que são apenas algumas demonstrações de como o capital entra em conflito com as demandas básicas da vida da grande maioria das pessoas, e é por isso que em nosso documento para o fórum apontamos que não há saída para os problemas da humanidade se o regime do capital não for superado positivamente, e o socialismo é a única forma possível. A solução apontada pelo Fórum e por Zuenir Ventura, de conciliar o que é inconciliável, é reforçar um olhar anacrônico e acrítico com relação à origem e à solução para os problemas sociais de nossa época. Em suma, é reforçar a sustentação do status quo. É óbvio que existem outras opções e possibilidades, já que a história é feita por pessoas, grupos e classes com distintos interesses, mas a outra possibilidade, a da conciliação, esta sim nos leva a barbárie social e ao próprio empobrecimento crítico e cultural da capacidade humana. E é este tempo e espaço que os jovens ou velhos comunistas ousam mudar e criticar, não como portadores das verdades universais, mas como um dos sujeitos que compõem os anseios objetivos dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil e do mundo.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Mirante do Morro Santa Tereza: Prefeitura e Zaffari planejam permuta de áreas

PAULO MUZELL

O jornal Metro – uma “joint venture” do Grupo Bandeirantes e da Metro Internacional – publicou na semana passada, com grande destaque, matéria sobre a reforma e ampliação do Mirante do bairro Santa Tereza. É de se estranhar que um importante projeto da Prefeitura da capital, envolvendo um negócio de dezenas de milhões de reais seja anunciado na ausência do prefeito José Fortunati – candidato à reeleição num ano eleitoral -, pelo ex-deputado estadual Luiz Fernando Záchia, atual secretário municipal do Meio Ambiente (SMAM).

Segundo Záchia, o projeto seria viabilizado através da permuta de áreas entre a Prefeitura de Porto Alegre e a Cia. Zaffari. O município entregaria uma área de sua propriedade, de 6 mil metros quadrados localizada no bairro Três Figueiras, avaliada em 15 milhões de reais, recebendo em troca 3,8 mil metros quadrados localizados junto ao Mirante S. Tereza e uma gleba de 120 hectares localizada junto à Reserva Ecológica do Lami, que seria ampliada. A reurbanização do Mirante ficaria à cargo do grupo privado, com custo estimado em 600 mil reais. O projeto de lei autorizativo, anunciou o secretário, será enviado à Câmara Municipal num prazo de 60 dias.

Numa avaliação preliminar, sem dispor ainda dos laudos técnicos, parece carecer de isonomia a permuta anunciada. A Prefeitura trocaria uma área localizada num bairro nobre, classe A, com excelente potencial construtivo por um terreno localizado em área degradada, desvalorizada e mais uma gleba situada em zona periférica, rural, junto à uma reserva ecológica com baixo ou nulo potencial construtivo e, portanto, de reduzido valor.

Surpreendentemente, procurada pelo Metro a Cia. Zaffari informou “não possuir envolvimento com o assunto”.

Outro fato estranho é que a notícia do anúncio de um projeto deste porte não ter tido  repercussão: os demais veículos da mídia impressa da capital simplesmente ignoraram o assunto. Há uma “misteriosa nuvem de fumaça” em torno do tema. O prefeito Fortunati enviará o projeto à Câmara Municipal até o final de abril próximo? Vamos aguardar, atentos, com os olhos bem abertos.

A notícia "Mirante do Morro Santa Tereza: Prefeitura e Zaffari planejam permuta de áreas" foi originalmente publicada no blog rsurgentehttp://rsurgente.wordpress.com/2012/02/12/mirante-do-morro-santa-tereza-prefeitura-e-zaffari-planejam-permuta-de-areas/

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

DOCUMENTO PODE SER CONSIDERADO A "CERTIDÃO DE NASCIMENTO" DA UJC RIO GRANDE DO SUL

Pertence ao acervo do Centro de Documentação e Memória da UNESP o documento intitulado "RELATORIO DO COMITÉ REGIONAL DO R. G. DO SUL", escrito no final de 1928 como um balanço das atividades desenvolvidas pelos comunistas gaúchos, dado que o PCB estava prestes a realizar o seu III Congresso. O ponto relacionado à "Juventude Comunista" apresenta as primeiras ações dos camaradas para organizar a juventude.

Reprodução do texto do relatório original de 1928

Eis a transcrição do trecho que se refere à organização da Juventude Comunista no Estado:

                       3) Juventude Comunista
A Juventude Comunista nesta Região só ha tres mezes poude ser organiza-
da com o nome de Juventude Proletaria.
A Juventude Proletaria conta actualmente 35 membros, sendo 12 do sexo
feminino. Estavam todos divididos em 5 cellulas, sendo porem mais tarde, por
ser mais pratico, reunidos [?] em duas cellulas.
Brevemente vai ser organizada a secção sportiva, devendo constituir-se
uma Federação Operaria Sportiva, que, reunirá todos os pequenos clubs de
foot-ball [1 palavra ilegível] operarios.
Realisam-se também horas de auto-educação por meio de leitura [1 palavra ilegível].
Convem notar-que, apezar de existir ha tão [?] pouco tempo, a nossa Juventude
caminha para a frente, como o demonstram os trabalho ja effectuados e as reu-
iniões de suas cellulas.
O C.R. é representado, por um delegado, nas sessões da J.P. e esta re-
presentada também, por um delegado, no C.R.

O Partido dos Trabalhadores

PAULO PASSARINHO
Economista e apresentador do programa de rádio Faixa Livre

O Partido dos Trabalhadores completa, no dia 10 de fevereiro, 32 anos. Nesse dia, em 1980, no Colégio Sion, em São Paulo, o Movimento Pró-PT – reunindo os mais diferentes segmentos de trabalhadores, estudantes, intelectuais, comunidades eclesiais de base, lideranças combativas do movimento sindical e militantes de diversas organizações de esquerda, clandestinas, por força da ditadura em vigor – chegava ao seu objetivo de cumprir as exigências impostas pelo regime militar para a criação de um partido político.

No momento mais simbólico daquela histórica tarde, Apolônio de Carvalho, Mário Pedrosa e Sergio Buarque de Hollanda entraram de braços dados pelo salão onde se realizava a reunião de fundação formal do PT. Representavam décadas de militância política e intelectual a favor dos trabalhadores, e renovavam as esperanças e expectativas de brasileiros que apostavam na criação de mais um importante instrumento de luta para a emancipação de nosso país e de nosso povo.

Daquela data até os dias de hoje, muita coisa mudou no Brasil e no próprio PT.

Ao longo da década de 80, o PT se afirmou como a principal referência partidária junto aos militantes dos movimentos sociais, principalmente dos setores identificados com a Central Única dos Trabalhadores e o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, igualmente criados naquela década. A partir das eleições municipais de 1988, especialmente com a vitória de Luiza Erundina para a prefeitura de São Paulo, dentre outras (anteriormente, em 1985, Maria Luiza Fontenelle já havia sido eleita para a prefeitura de Fortaleza), o PT começa a trilhar o delicado caminho de procurar compatibilizar os seus objetivos políticos com os limites da institucionalidade vigente.

Com a derrota de Lula para Collor, nas eleições presidenciais de 1989, e a própria ascensão do projeto neoliberal no país, os movimentos sociais entram em compasso de resistência contra a nova hegemonia que se expressa na sociedade, com conseqüências importantes para a própria construção política do PT.

Abreviando essa trajetória petista, e após o período das contra-reformas da era FHC, o PT que chega ao governo federal em 2003 é completamente diferente do que se poderia imaginar para um partido que se pautava – na sua fase de afirmação – pela defesa de uma nova ética na prática política e de transformações estruturais da economia e da sociedade brasileiras.

Históricas bandeiras políticas do PT - como a reforma agrária, a reforma tributária a favor do mundo do trabalho, a reforma urbana, a revisão das criminosas privatizações de FHC, Itamar e Collor, o controle democrático das estatais ou a mudança do modelo econômico, através de uma nova política macroeconômica – foram abandonadas e substituídas sem cerimônia e em nome do que se denominou governabilidade.

A justificativa para tamanha metamorfose foi a alegação de que a correlação de forças na sociedade não permitiria mudanças substantivas no plano da política e especialmente na condução da política econômica. A política de alianças que leva Lula à presidência também foi alegada como fator de impedimento, para um programa de governo minimamente reformista e de contraposição às contra-reformas de FHC.

A rigor, a correlação de forças que foi substantivamente alterada se deu dentro do próprio PT. A submissão do conjunto do partido, com honrosas exceções, às opções e preferências de Lula – com seu inegável carisma, popularidade e apelo junto aos mais pobres, que se identificam com a origem do ex-metalúrgico – tornou-se uma regra.

"Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és" (I):
Lula e Sarney
Com relação à política de alianças, eu mesmo ouvi do vice-presidente de Lula, José de Alencar, em encontro no Palácio Jaburú com representantes do Conselho Federal de Economia, durante o primeiro mandato de ambos, que jamais foi consultado – ou mesmo informado de forma antecipada – das razões que levaram a cúpula petista a anunciar, em solo norte-americano, com Lula à frente, a nomeação do executivo financeiro do Bank of Boston, Henrique Meireles, para a presidência do Banco Central.

Outra explicação ou justificativa que também foi alegada, particularmente por setores que ainda têm o capricho de se apresentarem como forças de esquerda que apóiam os governos petistas, é que estes seriam “governos em disputa”. Seja por espantosa ingenuidade ou deslavado oportunismo, a verdade é que, se houve alguma disputa, em algum momento que seja, em todas elas a esquerda perdeu. Ou, conforme um amigo sempre lembra, a única disputa relevante que podemos apontar no âmbito do governo Lula foi a disputa entre os grupos Bradesco e Itaú pela liderança do super-lucrativo mercado bancário brasileiro, mais privilegiado ainda no período pós-2002 do que na era FHC.

Todas essas considerações devem ser lembradas pela razão de, na mesma semana em que o PT comemora mais um ano de sua existência, uma nova e inequívoca prova de sua total e radical guinada para a direita ter sido ratificada. Refiro-me ao início do processo da privatização dos principais e rentáveis aeroportos brasileiros. Serviço público essencial e fator de segurança nacional, a entrega dos principais aeroportos do país à administração privada, e a operação dos mesmos a empresas estrangeiras, escancara de uma vez por todas a natureza política dos governos pós-2002.

"Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és" (II):
Dilma e Gerdau
Mais patética do que a ação privatista em si, injustificável sob todos os pontos de vista, foi o esforço de dirigentes e líderes petistas procurando contestar qualquer semelhança com as privatizações da era FHC. Alegando que concessões não significam privatizações, essas tristes figuras ainda permitiram que ex-dirigentes tucanos se retirassem do ostracismo político em que se encontram para lhes explicar que serviços públicos, de fato, não podem ser privatizados, como se fossem “uma Vale do Rio Doce”. Por conta de dispositivo constitucional, esses serviços devem ser executados diretamente pelo Estado, ou por concessões a serem feitas à iniciativa privada, através de contratos, e por tempo definido.

Parece que, em termos de privatização, os neopetistas têm muito ainda a aprender com os carcomidos tucanos. Da minha parte, o que espero é que aqueles que ainda mantenham um mínimo de coerência, entre os que ainda se considerem de esquerda, e que continuam aprisionados ao PT e aos seus governos, rompam definitivamente com esse partido e com o atual governo.

A esses setores, é importante lembrar que, após mais de nove anos de governos comandados pelo PT, as tarefas para a construção de um verdadeiro programa democrático e popular - conforme o ideário do finado e verdadeiro PT - são mais complexas hoje do que em 2002.

O processo de privatização e de abertura de nossa economia aos capitais transnacionais é muito mais intenso e deitou raízes no país de forma muito mais profunda. Temos, portanto, muito mais trabalho pela frente e nossos adversários estão hoje muito mais fortalecidos. A economia brasileira encontra-se muito mais desnacionalizada, o Estado muito mais endividado e os movimentos sociais muito mais debilitados, pela cooptação de suas lideranças.

Chega de ilusões. É chegada a hora de se desfazer de fantasias e mistificações.

O texto "O Partido dos Trabalhadores" foi originalmente publicado no site Correio da Cidadaniahttp://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=6801%3Asubmanchete100212&catid=72%3Aimagens-rolantes

Para professor brasileiro, 3º pior salário do mundo, voltas às aulas = “se vira”

MARCELO TAS
Blog do Tas

(charge: Cícero Lopes)
Uma pesquisa realizada pela OIT e Unesco avaliou o quadro educacional em 40 países. A situação do Brasil só não é pior do que a dos professores do Peru e Indonésia. Isso reflete diretamente na qualificação e formação profissional. No nordeste somente 51% dos professores tem curso superior completo seguido do Sul 72%, Sudeste 73% e Centro-Oeste 74%, outra estatística lastimável.

Na Bahia e no Maranhão esse número piora, somente 40% possuem formação acadêmica.

IDH: Dos 187 países avaliados o Brasil ocupa 84˚posição no ranking, ficando bem atrás dos nossos vizinhos latinos, Uruguai, Chile e Argentina. A Russia ocupa o 66˚ lugar, importante dado comparativo já que é um país tão populoso e emergente quanto o nosso.

Tudo isso em pleno século XXI, a era da mudança de paradigma histórico no acesso ao conhecimento e às oportunidades, que coloca a economia criativa no pódium da receita dos países atentos ao valor da Educação!

Enquanto isso, por aqui, em todos os níveis - municipal, estadual e federal - muito blablablá e pouco planejamento e investimento de verdade, de gente grande.

Resumo da ópera: para professor brasileiro, volta às aulas é sinônimo de “se vira”!

O post "Para professor brasileiro, 3º pior salário do mundo, voltas às aulas = 'se vira'" foi originalmente postado no Blog do Tashttp://blogdotas.terra.com.br/2012/02/07/professor-brasileiro-tem-o-terceiro-pior-salario-do-mundo/

O que está por trás da greve da Polícia Militar baiana

NOTA POLÍTICA DO COMITÊ REGIONAL DO PCB BAHIA
SOBRE A GREVE DA POLÍCIA MILITAR DA BAHIA

Salvador, 8 de fevereiro de 2012

Em face dos últimos acontecimentos relacionados à greve da polícia militar do estado da Bahia, o Comitê Regional do Partido Comunista Brasileiro neste estado vem a público trazer o seu posicionamento.

Após o fim do regime militar e a restauração da institucionalidade democrático-burguesa sob a hegemonia liberal-conservadora em meados dos anos 1980, não se avançou um passo sequer na implementação de um projeto de reforma das instituições encarregadas por zelar pela segurança pública no sentido de qualificá-las para garantir o gozo dos direitos e a proteção dos cidadãos e cidadãs. Ao invés disto, tais órgãos não apenas preservaram suas estruturas e concepções moldadas na vigência do regime autoritário, como também foram crescentemente contaminados pelo avanço da corrupção policial e o entrelaçamento de alguns de seus segmentos com a criminalidade organizada. Agravando tais circunstâncias, aprofundaram-se as distinções hierárquicas entre a oficialidade e a tropa e a deterioração das condições salariais de praças e soldados.

Por outro lado, as classes dirigentes brasileiras vêm acentuando, nos últimos anos, o uso das forças policiais como instrumento de controle político e social na repressão dos movimentos sociais organizados e na militarização do enfrentamento à delinqüência e ao crime. Verifica-se como conseqüência o agravamento sistemático das condições de trabalho dos policiais, o desgaste das relações entre estes e as grandes massas da população, acirrando o estranhamento entre os integrantes dos corpos policiais e o restante dos trabalhadores brasileiros.

O estado da Bahia não se encontra à margem destas contradições. Muito pelo contrário, tem sido palco, ao longo das últimas décadas, de sucessivos movimentos reivindicatórios, greves e manifestações de protestos protagonizados por praças e soldados da polícia militar. O desenrolar de tais movimentos segue, via de regra, uma trajetória parecida: apresentação das reivindicações pelas entidades representativas dos policiais seguida de negativa em atendê-las por parte das autoridades estaduais; paralisação de efetivos da polícia acompanhada da generalização de atos de violência, roubos, saques, assassinatos e atos de vandalismo que disseminam o pânico entre a população e agravam o sofrimento das massas trabalhadoras; convocação das forças armadas (e atualmente da Força Nacional de Segurança Pública) para “substituir” os militares em greve; punição aos líderes do movimento e assinaturas de acordos para o fim da greve, que acabam não sendo cumpridos em sua plenitude pelas autoridades estaduais, preparando o advento de um novo ciclo de crises e conflitos.

Nem a passagem dos anos, nem a repetição de um conhecido roteiro, nem mesmo a ascensão ao governo da Bahia de forças políticas que durante décadas de ação oposicionista notabilizaram-se pelas críticas contundentes a esta sistemática foram capazes de impedir a reedição deste drama. Novos atores, praticando as mesmas ações e utilizando os mesmos figurinos não podem apresentar qualquer solução de fundo para este velho problema, mas apenas postergá-lo até uma nova irrupção no futuro.

Por onde passa a solução do problema?

Segurança Pública é um anseio social e coletivo composto de propósitos amplos, como direito à vida e a integridade física e mental, proteção contra a violência e às arbitrariedades e o resguardo dos indivíduos diante das vicissitudes da vida em uma sociedade baseada em relações competitivas e muitas vezes agressivas.  Sua realização plena requer uma transformação substantiva da realidade social existente. Inversamente, a compreensão segundo a qual a segurança pública constitui um mero “caso de polícia” expressa uma concepção elitista e anti-popular do problema da segurança, preconizando o enfrentamento bélico como caminho para a erradicação da criminalidade, sem enfrentar suas causas mais profundas: o monopólio da propriedade privada, a privação dos direitos econômicos e sociais das grandes massas e a ineficiência culposa de nosso sistema de justiça.

A atual greve da PM baiana é mais um sintoma da crise da política atual de segurança pública. Não só na Bahia, mas em todo território nacional, as avaliações, ainda que genéricas, constatam os mesmo problemas. A baixa remuneração combinada com a inexistência de planos de cargos e salários figuram como alguns dos problemas centrais que cercam o exercício da função policial. O emprego da força, a rigidez hierárquica e o exercício do controle social através de métodos militares se incorporaram à cultura da corporação, características resultantes de um processo de formação inspirado no modelo das forças armadas.

Desta forma, os especialistas são quase unânimes em afirmar que o desenho institucional sobre o qual se baseia a PM afasta-se completamente do adequado a uma instituição que necessita da combinação de planejamento centralizado, sistema operacional flexível e atuação descentralizada. A prioridade conferida aos atos repressivos também se afasta das indicações que sugerem uma ênfase das ações de inteligência, investigativas e de patrulhamento comunitário. Falando em termos objetivos, uma política de segurança centrada na defesa da vida e da integridade física da população e de seus agentes deveria apostar na prevenção dos confrontos (através do controle do fornecimento de armas e drogas aos bandos criminosos), ao invés de premiar e remunerar seus agentes pela participação em combates sangrentos nas invasões, periferias e bairros populares, que produzem mortes dos ambos os lados, aterrorizam e vitimam as populações das áreas onde ocorrem estes conflitos.

A superação da crise que marca profundamente a política de segurança pública na Bahia e no Brasil passa pela promoção de transformações efetivas na estrutura do aparato policial através de sua integração, desmilitarização, depuração de seus quadros, reciclagem e requalificação de seus integrantes, motivação funcional e dignificação salarial de seus membros. Complementarmente, são indispensáveis o exercício do controle social sobre as ações do estado na esfera da segurança pública e a renovação da cultura da corporação, no sentido da defesa da vida e do respeito aos direitos dos demais trabalhadores e dos movimentos sociais.

Por fim, afirmamos que eventos e conflitos como estes que hoje estão ocorrendo na Bahia são conseqüência da brutal desigualdade econômica e social vigente em nossa sociedade, do elitismo e do autoritarismo de nossas classes dirigentes e da desfiguração política das forças de esquerda que integram o bloco governista. Entretanto, é necessário dissociar o debate sobre a segurança pública do embate eleitoral. Cabe aos partidos e grupos políticos de orientação avançada e anticapitalista organizar e mobilizar os movimentos sociais para, conjuntamente, elaborar uma plataforma de transformações estruturais capaz de orientar nossa luta para a superação do estado de coisas atual.

Apresentamos as propostas abaixo como elementos pontuais para um debate de fundo sobre a adoção de uma nova política de segurança para nosso estado.

  1. Por uma reforma profunda das instituições policiais, de modo a qualificá-las para a defesa dos direitos políticos, econômicos e sociais da maioria da população, em detrimento da condição de mera força de repressão aos trabalhadores e movimentos sociais e instrumento para o exercício de controle sobre as classes subalternas;
  2. Dignificação e valorização do trabalhador policial, com a adoção de novos planos de cargos e salários, remuneração decente, preparo profissional e equipamento adequado;
  3. Reformulação dos currículos das escolas, academias e centros de preparação de policiais, de modo a formar militares-cidadãos e não meros executores dos programas de controle político e social em prol das minorias econômicas e sociais;
  4. Direito de sindicalização para os policiais;
  5. Regulamentação do direito de greve dos policiais;
  6. Integração, reestruturação e desmilitarização das instituições policiais.

Jovem agredido na Cidade Baixa revela aumento dos crimes por homofobia no RS

RACHEL DUARTE
Sul21

Jovem participou da Marcha de Abertura do FST 2012.
 Ao lado, foto registrada por ele logo após a agressão.
(fotografia: Daniela Bitencourt)
“Tudo que aconteceu comigo é reversível. O que permanecerá em mim é a lembrança da tragédia. Esta eu levarei para o resto da vida”, disse ao Sul21 o jovem Willian dos Santos, vítima de agressão por homofobia no último domingo (5), em Porto Alegre. Com dificuldades na fala, em razão da perda de quatro dentes e deslocamento da mandíbula, por conta da violência sofrida ao sair do cinema no bairro Cidade Baixa, o estudante de 20 anos está disposto a não deixar o caso passar em branco. “O que aconteceu comigo, aconteceu com outras pessoas e pode acontecer de novo. Estou a disposição do estado para novos esclarecimentos”, disse.

Com voz e jeito de rapaz muito humilde, William conta que embarca no próximo domingo (12) para Natal (RN) onde dará continuidade na faculdade de Relações Internacionais que cursava no Rio Grande do Sul. “Eu não estou indo embora por causa da agressão, já tinha esta oportunidade. Vou sentido em deixar os amigos, ainda mais nesta hora que todos estão me apoiando pelo que me aconteceu”, fala. O jovem chegou a aparecer no Sul21 dias antes da agressão, por conta de sua participação na marcha de abertura do Fórum Social Temático.

O coordenador do Grupo Somos, Alexandre Boer, foi procurado pelo jovem no dia da agressão e conta que ele já prestou trabalhos voluntários na ONG. “Ele é muito espontâneo, agilizado. Ele é daqueles que podemos dizer que tem o jeito de ‘bichinha’. Mas para tu seres agredido no Brasil hoje nem precisa ter cara de gay. Qualquer um confundido com homossexual está apanhando na rua”, comenta.

Willian mora com um amigo em Novo Hamburgo e ao deixar a última sessão do cinema no último domingo voltava sozinho em direção ao Centro de Porto Alegre. Na Rua Sarmento Leite, próximo a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), ele foi agredido verbalmente por dois homens. Os agressores, ambos jovens, um branco e outro negro, atacaram fisicamente William sem ele ter manifestado qualquer reação ao xingamento de “veado”.

“Achei que fosse pela minha forma comportamental ou vestimenta. Mas, neste dia eu estava ‘fantasiado de heterossexual’, como eu costumo dizer. Ainda estou costurado por dentro e por fora da boca. Minha gengiva ainda sangra. Também levei quatro pontos na testa e outros no supercílio. Mas os edemas e o inchaço estão passando. O dano estético eu vou poder recuperar”, afirma o jovem que saiu da sedação e voltou a comer apenas nesta quarta-feira (08).

“Ele chegou a ficar desacordado e ao retomar a consciência conseguiu ligar para amigos que o levaram ao HPS. Os homens levaram alguns bens pessoais e a bolsa dele, deixando o celular dele no bolso”, conta Alexandre Boer.

Assim que retomou a consciência, Willian fez uma foto da própria face. “Eu não queria parecer nojento. Foi a forma que encontrei de mostrar para as pessoas o que tinha me acontecido. Eu tentei abordar policiais na rua naquela hora, mas, com todo o sangue que eu tinha, eles não me deram bola. Acho que pensaram que eu era um bêbado qualquer”, revela.

No dia seguinte, com auxílio da ONG Somos e da Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos, Willian fez o registro da ocorrência. “Levei ele no Palácio da Polícia porque lá já fazem o exame de corpo de delito. Como homofobia não é crime, o registro vai da sensibilidade da polícia. E no boletim dele o atendente percebeu que era caso de homofobia. Agrediram só o rosto dele e deixaram o telefone pra ele. Foi uma agressão gratuita”, defende o coordenador da Somos.


Casos de agressões por homofobia crescem no RS

De acordo com a diretora estadual de Direitos Humanos, Tâmara Biolo Soares, que foi avisada do caso na noite de domingo e realizou o transporte da vítima para o registro do boletim de ocorrência, infelizmente a agressão de Willian é mais comum do que se divulga. “Vamos publicar uma nota de repúdio, com base neste episódio, contra este tipo de violência, que tem acontecido como muita frequencia em Porto Alegre e aumentado a incidência também no interior do estado”, lamenta.

Segundo Tâmara, a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos está atenta aos desdobramentos judiciais que serão dados ao caso de Willian. “Registramos a queixa na Ouvidoria de Segurança Pública que abriu inquérito para identificar os agressores e entrar com processo judicial no Ministério Público. Estamos acompanhando também as investigações do delegado que está com o caso”, explica.

“As pessoas não fazem o tipo de registro por constrangimento, por isso que parece que só acontecem casos fora do RS. Eles muitas vezes dizem que foi só roubo. Os índices estão crescentes e assustadores e esta população está cada vez mais vulnerável, além de estar sendo impedida de usufruir o direito de ir e vir livremente. Por isso que defendemos o projeto de criminalização da homofobia”, defende o coordenador da Somos, Alexandre Boer.

O texto "Jovem agredido na Cidade Baixa revela aumento dos crimes por homofobia no RS" foi originalmente publicado no site Sul21http://sul21.com.br/jornal/2012/02/jovem-agredido-na-cidade-baixa-revela-aumento-dos-crimes-por-homofobia-no-rs/

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

CUBA TAMBIÉN APUESTA POR LAS FUENTES RENOVABLES DE ENERGÍA

La Organización de Naciones Unidas decidió que el 2012 sea el Año Internacional de la Energía Sostenible para Todos, en busca de no agotar la existencia de las fuentes de  energía para su posible renovación y de ese modo preservar nuestro planeta, y dar un poco más de margen a la próxima generación.

Se trata de generar energía eficiente y no contaminante a partir de fuentes renovables u otras fuentes con las menores emisiones posibles de dióxido de carbono, gas involucrado en el cambio climático.

Es un objetivo también que sea asequible a todos, pues se estima que hay más de MIL 400 millones de personas en el mundo sin electricidad y MIL millones más solo tienen un acceso intermitente.

Por eso adquiere una especial significación la utilización de las fuentes renovables, un área en la que Cuba ya acumula experiencia con la generación de energía a partir de la solar o la eólica, entre otras, que reducen el impacto ambiental, llegan a zonas rurales aisladas y generan empleo.

En el archipiélago cubano desde el año 2006 y hasta el 2010 entraron en funcionamiento tres parques eólicos de prueba y se instalaron 100 estaciones de medición del viento para el estudio del potencial eólico.

No se puede obviar la energía solar fotovoltaica, un mecanismo que al caracterizarse por su independencia de la red eléctrica se emplea en lugares de la geografía cubana donde resulta prácticamente imposible acceder al Sistema Eléctrico Nacional.

Por esta vía en Cuba se han electrificado viviendas, salas de televisión comunitaria, consultorios médicos y círculos sociales en zonas aisladas y de montaña.

La generación de electricidad a partir de la energía hidráulica es otra de las iniciativas desplegadas por el gobierno cubano a lo largo de estos años. En estos momentos existen 180 instalaciones con una potencia instalada total de 65 mil kilowatt  y una producción de energía al año de 136 millones de kilowatt/hora.

La Mayor de las Antillas obtuvo energía de fuentes renovables durante el 2010 por el equivalente a unas 960 mil toneladas de petróleo, y se propone incrementar esa cifra para los años venideros pues cuenta con profesionales preparados para enfrentar el reto de enfocar el presente y el futuro hacia las energía renovables.

Teniendo en cuenta además que son respetuosas del medio ambiente y la salud de las personas, y  pueden generar ahorro económico, calidad de vida y beneficios permanentes, Cuba indiscutiblemente apuesta por la obtención de energía a partir de las fuentes renovables.

O texto "CUBA TAMBIÉN APUESTA POR LAS FUENTES RENOVABLES DE ENERGÍA" foi originalmente publicado no site da Radio Habana Cubahttp://www.radiohc.cu/especiales/comentarios/10538-cuba-tambien-apuesta-por-las-fuentes-renovables-de-energia.html

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

BNDES financiará em 80 % privatização dos aeroportos brasileiros

LEONARDO WEXELL SEVERO

Como se não bastasse a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) exigir a presença de operadores estrangeiros nos consórcios que aspiram participar do leilão de “concessão” dos aeroportos internacionais de Brasília (DF), Campinas (SP) e Guarulhos (SP) – os maiores e mais lucrativos do país -, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou dia 19 de janeiro, que financiará até 80% do investimento total das empresas contempladas pelo martelo privatista.

Marcado para o dia 6 de fevereiro, o leilão entregará ao capital privado – nacional e transnacional – o controle de três terminais que, juntos, respondem por 30% do fluxo de passageiros e 57% da carga movimentada no país.

“Esta é uma decisão vergonhosa e inadmissível. Se já não bastasse a privatização de um patrimônio estratégico para o nosso desenvolvimento, agora anunciam o uso de um banco de fomento para estimular o capital estrangeiro”, condenou Celso Klafke, presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil (Fentac). Com a experiência de quem congrega aeroviários (trabalhadores das companhias aéreas e de serviços auxiliares que atuam em terra), aeronautas (pilotos, comissários e mecânicos de voo) e aeroportuários (funcionários da Infraero, que administram os aeroportos), Klafke denuncia a política de “privatizar o filé e estatizar o osso”.


Mercado vitaminado

O filé, aliás, é mais do que suculento, pois além do mercado interno vitaminado, temos ainda pela frente a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. De olho nesta maciez, a estadunidense ADC & HAS e a espanhola OHL são algumas das transnacionais que se associaram a empresas brasileiras para candidatar-se ao butim. Vale lembrar que os três terminais em voga realizaram juntos, apenas nos nove primeiros meses do ano passado, cerca de 40 milhões de embarques e desembarques de passageiros.

Conforme projeções da Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária), só o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, fechou 2011 com movimento de 7,6 milhões de passageiros de voos domésticos e internacionais, 28,5% maior que o do ano anterior, quando 5,43 milhões de pessoas passaram pelos terminais de embarque e desembarque. Em sete anos, o movimento no aeroporto de Campinas cresceu 1.025%.

“Por estas e outras razões somos contra o governo abrir mão do controle dos aeroportos brasileiros e, portanto, da Infraero como empresa pública. Esse modelo de concessão e privatização já demonstrou ao longo da década de 1990 que traz imensos prejuízos à população, tanto em termos de tarifa como de qualidade dos serviços prestados”, declarou Artur Henrique, presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.

Condenando a decisão do BNDES, Artur questionou a irracionalidade do modelo. “Fica a pergunta: se o BNDES pode emprestar 80% para o setor privado, por que não para a Infraero? Eu não sei. Imagino, mas não sei”.

O dirigente cutista também alertou que o edital não aponta para a necessidade do controle da torre de pousos e decolagens – do fluxo aéreo – permanecer nas mãos do Estado, o que atenta contra a segurança dos usuários, que ficarão à mercê da lógica e do interesse das empresas. “Mais do que um problema, é o fato de abrir mão da Infraero”, sublinhou, já que a empresa é responsável por toda a infraestrutura aeroportuária, desde a terraplanagem para a construção de pistas de pouso até o próprio controle aéreo dos aeroportos.


Campanha midiática

O presidente do Sindicato Nacional dos Aeroportuários, Francisco Lemos, condenou o estímulo do BNDES à desnacionalização como “uma aberração e uma imoralidade financeira que precisam ser barradas pela Justiça”. Lemos denunciou a “postura facciosa da grande mídia, que partindo do princípio que uma administração privada é mais eficiente do que a pública, manipula as informações”. Mas bem diferente da propaganda privatista, lembrou, a realidade se impõe com “as tampas de bueiros voando nas avenidas do Rio de Janeiro, as panes nos serviços da internet e nos apagões nos serviços de energia elétrica”. Em sua campanha desinformativa, frisou, os conglomerados de comunicação “escondem do grande público que 85% dos aeroportos em todo o mundo são públicos, inclusive nos Estados Unidos”.


Contra o formato

Lemos destaca que em nenhum momento os trabalhadores – representados pela CUT e pelo SINA – foram contra a parceria com o setor privado. “O que sempre questionamos é o formato da concessão/privatização, ainda mais agora que aponta para uma desnacionalização turbinada com recursos públicos.

Entendemos que as atividades fim – operações, segurança aeroportuária, carga aérea, manutenção especializada e navegação aérea – dos três aeroportos em processo de concessão devem permanecer sob a responsabilidade da Infraero”. E sobram argumentos para essa defesa. “Na história da aviação, 98% dos acidentes aéreos ocorreram nos processos de pouso e decolagem e apenas 2% em cruzeiro. Significa dizer que os aeroportos são a parte mais sensível e que a operação dos mesmos não pode ser entregue a quem não tem experiência, através de terceirização e até quarteirização da atividade”, acrescentou.

Além dos seus 38 anos de experiência, a Infraero é reconhecida internacionalmente pela sua competência na operação da infraestrutura aeroportuária. Lemos destaca que “a Infraero é a guardiã da soberania nacional”. Afinal, esclareceu, “pelos aeroportos – além de passageiros – trafegam cargas de alto valor agregado, infecto-contagiosas, vivas, explosivas, radiativas, numerário da Casa da Moeda, além de condenados pela Justiça do Brasil de outros países”.

O texto "BNDES financiará em 80 % privatização dos aeroportos brasileiros" foi originalmente publicado no site do jornal Brasil de Fatohttp://www.brasildefato.com.br/node/8743

sábado, 4 de fevereiro de 2012

OPORTUNISMO E DOGMATISMO

MIGUEL ALONSO PÉREZ Q.
Tribuna Popular - Partido Comunista de Venezuela

A burguesia reacionária não cessa seu esforço para enfraquecer o movimento comunista com um trabalho de miná-lo por dentro. Para isso, joga grandes esperanças na utilização, em proveito próprio, das divergências que podem surgir no seio dos Partidos e na propagação de ideias oportunistas entre os membros do Partido pouco firmes politicamente.

As fileiras dos Partidos se nutrem constantemente não só de operários avançados, mas também com elementos pouco maduros, entre eles os oriundos das camadas médias. Estes, querendo ou não, trazem aos Partidos os seus preconceitos e as suas extravagâncias. Sempre existe a possibilidade objetiva de que nos Partidos Comunistas penetrem influências burguesas e pequeno-burguesas, concepções oportunistas que levam ao desânimo e à desconfiança no triunfo de uma nova sociedade. Daí a justificativa para que a luta pela pureza da ideologia marxista-leninista seja uma lei cabal na existência e desenvolvimento dos Partidos Comunistas.

A ideologia burguesa vai mudando de matiz conforme a luta da classe trabalhadora se amplia. As formas grosseiras empregadas para justificar o capitalismo vêm sendo substituídas por procedimentos mais sutis de defesa. Porém, a ideologia burguesa não muda por isso. Da mesma maneira, o oportunismo, qualquer que seja a roupagem com que se apresente, sempre possui o mesmo propósito, declarado ou escondido: conciliar a classe trabalhadora com o capitalismo, submeter o movimento operário aos interesses das classes dominantes. Prova disso são as constantes tentativas dos oportunistas em revisar a doutrina revolucionária da classe operária, que é o marxismo-leninismo.

O revisionismo ou “revisão” do marxismo, como indicava Lênin, é “uma das principais manifestações, se não a principal, de influência burguesa sobre o proletariado e da corrupção burguesa dos proletários”.

Os esforços teóricos e práticos dos revisionistas se subordinam sempre, em última instância, ao desejo de acabar com os Partidos Comunistas ou de convertê-los numa organização reformista. Em algumas condições históricas, estes propósitos não são ocultados. Em outras, são apresentados de maneira mascarada. Os revisionistas sempre empreenderam campanhas contra os Partidos, afirmando que se trata de uma organização que necessita ser “arquivada”. E, em seu lugar, propõem criar uma ampla organização sem Partido, ou seja, criar somente uma “organização de trabalhadores”.

Os ideólogos do revisionismo tratam de “revisar” ou, mais exatamente, de deformar todas as teses fundamentais da teoria marxista-leninista. Porém, um dos alvos favoritos desses ideólogos sempre é a doutrina Leninista sobre os Partidos.

Os revisionistas tratam de desacreditar a grande doutrina do marxismo-leninismo. Declaram-na “caduca”, “passada de moda” e que, atualmente, perdeu seu valor para o desenvolvimento social. Os revisionistas se esforçam para matar o espírito revolucionário do marxismo e quebrar a fé da classe operária e do povo na construção de uma sociedade socialista, negando o papel dirigente do Partido marxista-leninista. Manifestam-se contra a necessidade histórica da Revolução Proletária e da ditadura do proletariado na transição do capitalismo ao socialismo, negam os princípios fundamentais do internacionalismo proletário, pedem a renúncia dos princípios leninistas fundamentais de organização dos Partidos e, acima de tudo, do Centralismo Democrático, exigem que o Partido Comunista se converta de uma organização revolucionária combativa que é em algo semelhante a um clube de discussão.

Atualmente, não sempre, os revisionistas pedem abertamente a supressão dos Partidos. Com o pretexto de que se amplie a democracia interna, querem acabar com a disciplina dos Partidos, concedendo à minoria o direito de não admitir as decisões adotadas pela maioria e de organizar frações. Porém, isto equivaleria a destruir a unidade de ação dos Partidos, convertendo-os em campo de luta de grupos e frações. Os revisionistas se encobrem ordinariamente com a bandeira contra o dogmatismo doutrinário. Sua renúncia ao marxismo é dissimulada com invocações de que a própria doutrina marxista pede que as teses caducas sejam substituídas por outras novas. Porém, a substituição das teses marxistas, tidas hoje em dia como caducas, por outras novas não tem nada a ver com a supressão dos princípios básicos do marxismo-leninismo, que são o espírito desta doutrina revolucionária. O perigo do revisionismo é que, sob a desculpa de se desenvolver o marxismo, o que faz é negá-lo. É lógico que os Partidos Comunistas enxergam a luta contra o revisionismo em todos os terrenos, sem excluir o da organização interna, uma de suas obrigações permanentes e essenciais.

Os Partidos Comunistas não devem lutar somente contra o revisionismo. Outro inimigo é o sectarismo. Aparentemente, são polos opostos. Contudo, de fato, o sectarismo que se apresenta como muito revolucionário e “esquerdista”, também debilita os Partidos.

O sectarismo se baseia num critério dogmático acerca de determinadas teses e fórmulas teóricas, nas quais se quer encontrar soluções a toda classe de problemas da vida política. Em vez de estudar a vida tal qual ela é, os dogmáticos partem de um esquema. Caso os fatos não se encaixem nesse esquema, ignoram os fatos. O dogmático significa o divórcio da realidade e do Partido, e o Partido, se não o combate, se converte numa seita apartada da vida.

Os desejos de agarrar-se ao dia de ontem, a uma política e a formas orgânicas que não respondem às novas condições, significam, de fato, como Lênin disse, “uma política de inação revolucionária”. Com uma grande gama de exemplos, a prática de todos os Partidos Comunistas confirma a razão que assistia à Lênin ao dizer isto.

Muitos dos Partidos Comunistas formados nos países capitalistas depois da Revolução de Outubro, nos primeiros tempos, eram propensos aos erros do sectarismo. Lênin qualificou esses erros de “esquerdismo”, de doença infantil do comunismo. Tais equívocos se traduziam na negativa em trabalhar nos sindicatos dirigidos por reacionários e oportunistas, em comparecer aos Parlamentos burgueses, em aceitar, em determinados casos, o compromisso e, em geral, em adotar uma tática flexível.

Porém, hoje, em nossos tempos, também é preciso lutar contra o sectarismo. O principal nele é o divórcio que se estabelece com as massas, o desprezo das possibilidades existentes para o trabalho revolucionário, a tendência em evitar os problemas candentes que a vida apresenta. Se o revisionismo trata de conciliar os Partidos com o capitalismo, o sectarismo o priva dos vínculos com as massas, sem os quais o êxito na luta contra o capitalismo é impossível. Por isso, não se pode fortalecer os Partidos sem combater o sectarismo, qualquer que seja a forma em que se manifeste.

Os Partidos Comunistas destacaram a necessidade de superar energicamente o revisionismo e o dogmatismo nas fileiras dos Partidos marxista-leninistas. Uma vez que condenam o dogmatismo, os Partidos estimam que, nas condições atuais, o principal perigo reside no revisionismo, o que é o mesmo que oportunismo de direita, como manifestação da ideologia burguesa que paralisa a energia revolucionária da classe trabalhadora e exige a manutenção ou a restauração do capitalismo. Certamente, o dogmatismo e o sectarismo podem ser também um perigo fundamental em determinadas etapas de desenvolvimento de um ou outro Partido. Porém, cada Partido deve estabelecer qual é o perigo fundamental para ele num dado momento.

Primeiramente, os Partidos eram débeis. Em sua maioria, se formaram com elementos revolucionários de organizações social-democratas e anarcossindicalistas, que levaram resquícios de oportunismo e sectarismo. Era necessário levar a cabo um urgente trabalho de coesão e educação dos novos Partidos, segundo as ideias revolucionárias do marxismo-leninismo, e na formação política e ideológica de seus quadros dirigentes.

O movimento comunista segue um desenvolvimento complexo nas condições próprias do capitalismo. Sua história conhece ascensões verticais e grandes êxitos, mas também reveses temporais, consequências negativas de condições objetivas desfavoráveis e dos erros cometidos. Estes defeitos e erros, no entanto, são de natureza transitória, enquanto o auge e fortalecimento do movimento operário e comunista significam um processo invencível, porque são impostos pelas mesmas leis que regem a sociedade.

O texto "OPORTUNISMO E DOGMATISMO" foi originalmente publicado em espanhol no site do jornal Tribuna Popularhttp://www.pcv-venezuela.org/index.php?option=com_content&view=article&id=774:oportunismo-y-dogmatismo&catid=59:contrainformacion&Itemid=62; sua tradução para o português de Maria Fernanda M. Scelza foi publicada no site do Partido Comunista Brasileirohttp://pcb.org.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=3529:oportunismo-e-dogmatismo&catid=54:venezuela

'O neonazismo nunca acabará', diz delegado que indiciou 35 no RS

TERRA
9 de agosto de 2011

Conforme a polícia gaúcha, há células neonazistas no
Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo,
além de outros locais investigados
(fotografia: Polícia Civil/Divulgação)
Uma briga envolvendo punks, skinheads e ao menos um neonazista no último sábado em um bar de Porto Alegre (RS) ligou o sinal de alerta da polícia para a atuação de grupos que pregam o ódio e a discriminação no Sul do País, inspirados pela ideologia de Adolf Hitler. Responsável pelo indiciamento de 35 neonazistas no Estado nos últimos dez anos, o delegado Paulo César Jardim, da 1ª DP, afirma que está "na gênese" do gaúcho a guarida para movimentos deste tipo.

"A origem do povo gaúcho é colonial e, além disso, a Argentina, que abrigou oficiais nazistas após a 2ª Guerra Mundial, está aqui do lado e preocupa. Para a consolidação dessa ideologia, deve existir um meio viável, caso do Rio Grande do Sul. O neonazismo é uma coisa que jamais vai acabar. É um sentimento, uma ideologia, e não se pode acabar com ideologias, mas evitar suas consequências e ações", acredita o delegado.

Segundo ele, na pancadaria do último sábado, que envolveu ao menos oito pessoas e deixou um homem negro esfaqueado, a motivação foi uma discussão entre punks e skinheads. Os envolvidos, porém, já possuem uma ficha criminal conhecida por crimes como agressão a homossexuais, judeus e negros, que configuram a ideologia nazista. "Eles seguem a ideia da instituição de uma raça pura através da eliminação dos que não se enquadram nela. No Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo, os movimentos neonazistas escolheram pessoas que devem ser eliminadas por pertencerem a uma 'subespécie'", salientou Jardim.


Expansão neonazista

O delegado Paulo Jardim, que se especializou em investigar como esses grupos atuam, viaja constantemente a São Paulo e troca informações com as polícias de outros Estados. Ele está preocupado com a expansão do movimento neonazista no País. "O desafio é conseguir abortar os ataques, como foi feito em 2010, quando foram desmontadas cinco células neonazistas. Apreendemos bombas, munição, e armas, e evitamos a explosão de uma sinagoga e um ataque na Parada Livre de Porto Alegre. As mesmas bombas que nós apreendemos aqui foram usadas em São Paulo, o que comprova a ligação material entre os grupos", disse ele.

"Estamos trabalhando para prender essas pessoas. A situação deles nos últimos anos está complicada e alguns vão responder, em júri popular, por tentativa de homicídio, formação de quadrilha e corrupção de menores", garantiu o delegado, que também investiga a ligação material entre os grupos, como fornecimento de dinheiro e armas entre os Estados.


Agressividade e humilhação

No código de condutas de um neonazista, um dos requisitos é saber lutar e andar armado, estando sempre pronto para um combate. Além disso, eles costumam tatuar o corpo com diversos símbolos e desenhos que fazem apologia à doutrina de Hitler.

"Eles são de uma agressividade muito grande e seguem uma ideia de que não se deve apenas derrotar o inimigo, mas humilhá-lo, acabar com ele, impor o medo. O seu combustível é o ódio e eles já saem às ruas preparados para briga com soqueiras, facas e outros objetos cortantes. Se as pessoas identificá-los em algum local, é interessante sair de perto, pois eles são sinônimo de confusão", recomenda Jardim.


Histórico de agressões e apologia

Em 2010, um grupo de defesa dos direitos dos travestis no Rio Grande do Sul recebeu ameaças por telefone de um suposto neonazista, que disse preparar uma ação na 14ª Parada Livre. Em edição anterior do evento, cartazes que pregavam a morte de homossexuais foram afixados no bairro Bom Fim, onde ocorre a passeata.
Em novembro do mesmo ano, policiais civis apreenderam material de apologia ao nazismo em uma residência no centro de Porto Alegre. Foram recolhidos fotografias, CDs, camisetas, distintivos, facas, uma soqueira e um laptop, mas ninguém foi preso. Em 2009, apreensões semelhantes ocorreram em Cachoeirinha, Viamão, Porto Alegre e duas cidades da serra gaúcha.

Em 2009, o casal Bernardo Dayrell e Renata Ferreira foram assassinados após uma festa neonazista no Paraná. O crime foi cometido na BR-116, em Quatro Barras, região metropolitana de Curitiba, e teve motivações de disputa entre o grupo neonazista liderado por Dayrell e Ricardo Barollo, apontado pela polícia como o mandante do duplo homicídio. Além dele, Jairo Maciel Fischer, Rodrigo Motta, Gustavo Wendler, Rosana Almeida e João Guilherme Correa foram acusados de participar no crime.

No dia do assassinato do casal, vários membros do grupo neonazista foram a uma festa em comemoração ao aniversário de Adolf Hitler em uma chácara de Quatro Barras. Conforme a lei 7.716, de 1989, "fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo" prevê pena de até três anos de reclusão.

A notícia "'O neonazismo nunca acabará', diz delegado que indiciou 35 no RS" foi originalmente publicada no site Terrahttp://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI5286557-EI5030,00-O+neonazismo+nunca+acabara+diz+delegado+que+indiciou+no+RS.html

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Desemprego está no pior nível, diz a OIT

JAMIL CHADE
Correspondente de O Estado de S.Paulo

Até 2020, 600 milhões de empregos têm de ser criados para equilibrar o mercado


GENEBRA - Entrando no quarto ano, a crise econômica põe o mundo à beira de uma explosão social que exigirá um plano de resgate trilionário para ser superada. Dados divulgados pela Organização Internacional do Trabalho apontam que a crise do desemprego é a pior já registrada e a economia mundial terá de criar 600 milhões de postos de trabalho até 2020 para inserir os que hoje estão desempregados e ainda incorporar milhões de jovens que entrarão no mercado produtivo.

A estimativa é de que os governos terão de investir 2% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial - US$ 1,2 trilhão - para criar os postos de trabalho eliminados e ainda dar uma resposta à nova geração de trabalhadores. Além disso, a recessão que eclodiu em 2008 exigirá uma década para ser superada.

Desde 2007, 27 milhões de pessoas perderam o trabalho, fazendo o número global de desempregados atingir o recorde de 197 milhões de pessoas, uma alta de 13% em poucos anos.

Metade dessa massa de desempregados está nos países ricos e a taxa média mundial de desemprego passou de 5,5% para 6,2%. Na América Latina, 3 milhões de pessoas foram demitidas nos dois primeiros anos da crise, fazendo a taxa subir de 7,0% para 7,7%. Em 2010 e 2011, porém, o índice caiu para 7,2%.

A esperança era de que, a partir de 2011, a economia mundial voltasse a crescer e começasse a gerar postos de trabalho. Mas o ano terminou com um resultado frágil. Nos países ricos, mais de 2 milhões de pessoas foram demitidas, o que foi compensado pela expansão nos mercados emergentes.

Neste ano, desaceleração da economia mundial fará com que pelo menos outros 3 milhões fiquem desempregados. O número, porém, poderá ser ainda maior se a Europa não der uma solução para sua crise da dívida e a própria OIT já admite que o ano verá a eliminação de 6 milhões de postos de trabalho e outros 5 milhões em 2013, metade na Europa. "Tudo indica que o desemprego continuará a crescer", alertou Jose Manuel Salazar, diretor executivo da OIT.

Na Europa, 45 milhões de pessoas estão sem trabalho. Um terço já busca emprego por mais de um ano. Na melhor das hipóteses, a taxa de desemprego que bateu 8,8% em 2010 será reduzida para 7,7% em 2016. Mas, ainda assim, estará acima dos 6,1% de 2008.

A tarefa só ficará mais complicada nos próximos anos. Além de dar uma solução aos 200 milhões de desempregados, o mundo verá uma explosão da oferta de mão de obra, com a chegada ao mercado de 400 milhões de novos trabalhadores. Nos países emergentes, a expansão demográfica será a principal responsável. Sem uma resposta, governos poderão registrar protestos, explosão social e violência.

Esse "caldo" já começa a ser fermentado diante das dificuldades em encontrar trabalho. Hoje, 29 milhões de pessoas pelo mundo já abandonaram a busca por um emprego diante da falta de oferta. Se esse contingente fosse somado ao total de desempregados, o número chegaria a 225 milhões de pessoas e a taxa do desemprego passaria de 6% para 7%.

Outro fator é o desemprego recorde entre jovens. O número absoluto chega a 74 milhões de pessoas, 4 milhões a mais em relação a 2007. Em alguns países europeus, metade desses jovens não encontra trabalho.

Década perdida. Se a crise continuar, a previsão é de que em 2016 haverá mais 9 milhões de desempregado. Na OIT, a percepção é de que os pacotes de austeridade que se proliferam para dar uma resposta à crise da dívida estão deteriorando ainda mais a situação. Em 2013, portanto, o desemprego pode bater recorde na Europa, com uma taxa de 9%, acima dos 8,8% de 2010.

Para a OIT, não há dúvidas de que os planos adotados por governos para lidar com a crise não estão gerando empregos. A entidade, portanto, pede investimentos e que criação de postos de trabalho esteja entre as prioridades. "Sair ou não da crise vai depender da criação de postos de trabalho", alertou Juan Somavia, diretor da OIT.

A notícia "Desemprego está no pior nível, diz a OIT" foi originalmente publicada no site do jornal O Estado de S.Paulohttp://economia.estadao.com.br/noticias/economia,desemprego-esta-no-pior-nivel-diz-a-oit,100314,0.htm

A UJC e o PCB mostraram a cara no Fórum Social Temático

FERNANDA FORTINI MACHARET
Membro da Coordenação Estadual da UJC/RJ. Militante da Base da Saúde do PCB/RJ


Debate sobre jovens trabalhadores promovido pela
União da Juventude Comunista e pela Unidade Classista
(Acampamento da Juventude - 26/01/2012)
É com emoção que tomo a liberdade de escrever esse breve relato da participação da UJC no Fórum Social Temático.

Em primeiro lugar, é preciso dizer que é revigorante encontrar os camaradas de outros estados, trocar informes, perceber o quanto temos crescido com qualidade. Camaradas realmente valorosos. Alguns com grande inserção na lutas sociais que se travam país afora e outros que, embora com pouca experiência por estarem iniciando a militância agora, esbanjam grande potencial. Todos comunistas sinceros e que anseiam pelo aprofundamento de nossa capilarização nas lutas, em diversas frentes e em suas variadas formas. Ali estava reunida a juventude, ou parte dela, que será o futuro de nosso PCB.

O Fórum, que se caracteriza pelo aparente caráter descentralizado, com centenas de atividades das mais variadas temáticas - que reproduzem, em grande medida, a fragmentação e a focalização em lutas específicas em nossos tempos de discursos pós-modernos -, esconde, na verdade, a hegemonização de sua direção por ONGS e setores atrelados ao governo. A bandeira por um "outro mundo possível", naquele espaço, não passa de uma máxima esvaziada de um conteúdo que conteste, de fato, a atual ordem vigente. Ainda que se mencione o socialismo - com discursos redesenhados à esquerda, mas desmascarados pelas práticas concretas -, a denúncia da mazelas produzidas pelo capitalismo não desvela a essência de seu caráter predatório e tão pouco projeta a sua superação. Fala-se em desenvolvimento sustentável, em um claro preparo de terreno para o Rio +20,  o primeiro dos megaeventos que passarão a tomar conta do país a partir desse ano, cavando ainda mais espaços para a acumulação e a circulação de capital, para o acirramento da concentração das riquezas produzidas socialmente.

É nesse contexto que se deu nossa atuação. Conseguimos realizar duas atividades próprias no acampamento: um debate sobre a juventude trabalhadora, com os camaradas João, do MST e da UJC, e com Sidney, do Comitê Central do PCB e Secretário Nacional Sindical, que nos brindou com toda a sua experiência e trajetória de lutas, emocionando a todos em diversos momentos. Ali foi um passo importante para amadurecermos a necessária discussão sobre a organização dos jovens trabalhadores, que certamente dará passos mais largos no Congresso da UJC em julho.

A outra atividade foi o debate de universidade popular, no qual contamos com a participação de cerca de 50 pessoas, dentre camaradas - contando com a importante presença do PC Paraguaio -, contatos e aqueles que passavam pelo local. Uma expressiva atividade, que se insere no bojo de outras, como os seminários estaduais e nacional de universidade popular, os grupos de trabalho que temos a tarefa de tocar em nossos estados junto com outras forças e movimentos, enfim, mais uma atividade que traz consigo o esforço de tornar os debates sobre a UP um movimento contra-hegemônico concreto e orgânico.

Ainda houve uma terceira atividade própria, organizada pelos camaradas do Rio Grande do Sul, a Boemia Socialista, na qual pudemos nos confraternizar e estreitar ainda mais os laços também subjetivos que nos unem. Uma maravilhosa atividade, que contou com os camaradas paraguaios e, mais uma vez, com a conversa de toda militância com Sidney, que nos emocionou com histórias que nos preparam, em boa medida, para este ano em que enfrentaremos batalhas pela disputa de memória em torno dos 90 anos do partido. Não podemos nos furtar de defender a nossa história, que é também a história das lutas populares que se travaram e se travam nesse país. Trata-se, mais que nunca, de defender a atualidade e a necessidade da via revolucionária no Brasil, sob a hegemonia dos trabalhadores. Em suma é combater o reformismo e o dito “comunismo” para o capital.

Marcamos presença, ainda, na atividade da agenda Colômbia-Brasil, na qual pudemos conhecer um pouco mais das diversas formas de lutas que se travam naquele país, bem como as atrocidades que o Estado terrorista, em estreita articulação com as elites colombianas e os Estados Unidos provocam sobre os trabalhadores, camponeses, estudantes e todos aqueles que contestam a bárbara situação do país. Devemos nos solidarizar com o povo Colombiano e denunciar as inúmeras violações as quais são submetidos!

Conseguimos, ainda, acompanhar as reuniões e atividades da Frente Nacional Contra a Privatização da Saúde, na qual já nos inserimos em alguns estados através de fóruns locais, como é o caso do Rio. A Frente protagonizou importantes ações no Fórum Mundial de Saúde e Seguridade que ocorria em paralelo ao Fórum Temático, pressionando e inserindo em sua pauta análises e propostas que se contrapõem aos rumos vigentes na saúde pública brasileira e ao seu claro desmonte, que segue à risca a cartilha do Banco Mundial.

A UJC e o PCB mostraram a cara. Divulgamos a nossa nota política da UJC, realizamos e nos inserimos em importantes  atividades e conseguimos realizar ações que se contrapunham ao caráter predominante do Fórum, apesar de todas as limitações. Mostramos, por fim, que o PCB está na luta! Revigorados, portanto, iniciamos o ano de 2012, um pouco mais preparados que antes para tocar as lutas que virão!